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pelo
Dr. Marcos A. Bizeto
Antes de começar a
falar sobre pH temos que fazer algumas considerações sobre
as propriedades da água que serão importantes na
compreensão do assunto.
A água sofre uma reacção de dissociação onde uma
molécula de H2O se separa em H+
(catiões) e OH- (aniões). Este fenómeno pode ser
facilmente entendido como se a água se dissolvesse nela
mesma, embora esta interpretação não seja muito correcta do
ponto de vista químico.
H2O
®
H+ + OH-
A quantidade de água que se encontra dissociada não é
aleatória, ela respeita uma condição de equilíbrio. Quando
a reacção de dissociação atinge a condição de
equilíbrio o produto da concentração de H+ e OH-
deve ser igual a 1,0 x 10-14. Em outras palavras em
1 mol de água pura temos 0,0000001 mols (1,0 x 10-7)
de H+ e 0,0000001 mols (1,0 x 10-7) de
OH-, ou seja, em 1 L de água pura temos 0,0001 L
dissociados (1mol é uma quantidade qualquer como gramas que
equivale a 6,02 x 1023 moléculas da substância em
questão).
Portanto, pH nada mais é que uma medida da concentração de
H+ na água. A sigla pH representa o logaritmo da
concentração de H+ (mols / L) no equilíbrio,
conforme a fórmula abaixo.
pH =
-log
[H+]
A escala de pH foi construída levando-se em conta a
condição de equilíbrio, o valor 7 é dado como neutro pois
equivale a condição de equilíbrio da água pura, onde a
concentração de H+ é igual a concentração de
OH-. Os valores abaixo de 7 indicam que a água é
ácida, ou seja, a concentração de H+ no
equilíbrio é maior do que a concentração de OH-.
Já os valores acima de 7 indicam que a água é básica ou
alcalina, ou seja, a concentração de OH- no
equilíbrio é maior do que a concentração de H+.
Como se trata de uma escala logarítmica pequenas variações
no valor do pH podem corresponder a uma grande variação na
concentração de H+, por exemplo, o aumento de 1
unidade na escala de pH implica em um aumento de 10 vezes na
concentração de H+. É por esse motivo que toda
correcção de pH no aquário deve ser feita lentamente no
máximo 0,2 unidades por dia para não causar problemas para
os habitantes.
O pH de um aquário
pode ser facilmente determinado através de kits
adquiridos em lojas do ramo. Esses kits possuem uma escala
colorimétrica e um tubo de teste onde se goteja a solução
de indicador e por comparação da cor obtida com a da escala
colorimétrica determina-se o valor do pH. Geralmente este
método apresenta bons resultados porém as limitações
encontram-se no indicador (substância responsável pela
mudança de cor). Por exemplo, o Azul de Bromotimol que é
muito usado em aquários de água doce, apresenta
sensibilidade para mudanças de pH entre as regiões de 6,2
(amarelo) - 7,6 (azul). Valores fora dessa região não podem
ser determinados.
O pH pode ser determinado de maneira muito precisa com o uso
de um aparelho que possui um eléctrodo combinado de vidro que
é muito sensível a concentração de H+. Os pin
points, como são chamados estes aparelhos, actualmente são
facilmente encontrados nas lojas do ramo mas ainda custam caro
e exigem gastos extras referentes à manutenção periódica
como troca de eletrodos e soluções de calibração.
A correcção do pH pode ser feita utilizando-se várias
substâncias. Para acidificar a água do aquário podem ser
utilizadas soluções de ácido
clorídrico (HCl) ou ácido fosfórico (H3PO4),
porém muito cuidado deve ser tomado na manipulação
destas substâncias pois tratam-se de ácidos fortes e
podem causar queimaduras em contacto com a pele, além do
fosfato ser um óptimo incentivador
de algas. Por exemplo, se deseja corrigir o pH de
7 para 6,8 utilize uma solução 30 % de HCl na
proporção de 1 gota para cada 3 litros de água.
Para alcalinizar a água pode ser usada uma solução de NaOH
(hidróxido de sódio)
20 % na proporção de 1 gota para cada 3 litros de água.
Alguns sais também podem ser usados na correcção do
pH do aquário. Por exemplo para alcalinizar a água podem ser
utilizados os seguintes sais: Na2CO3
(carbonato de sódio), NaHCO3 (bicarbonato de
sódio), Na2HPO4 (monohidrogeno fosfato
de sódio) e para acidificar pode ser usado o NaH2PO4
(dihidrogeno fosfato de sódio), os sais de potássio também
podem ser usados. Estes sais em contacto com água sofrem uma
reacção chamada de hidrólise que interfere no equilíbrio
de dissociação da água alterando o pH. Por exemplo o Na2CO3
aumenta o pH devido a seguinte reacção química:
CO32- + H2O
® HCO3- + OH-
O OH-
liberado na reacção é o responsável pelo aumento do pH.
A mistura de NaH2PO4 e Na2HPO4
em partes iguais forma uma solução tampão com pH em torno
de 6,9. A formação do tampão evita que ocorram mudanças no
pH. Uma explicação mais detalhada sobre tampões será
assunto de um artigo futuro.
Para manter o pH ácido naturalmente pode-se colocar no
aquário um troncos ou turfa no sistema de filtração
(estes materiais devem ser bem lavados e preparados antes de
se colocar no aquário pois podem tingir a água). Já para
manter o pH básico
(ou alcalino) coloca-se no aquário rochas calcárias
como mármore e dolomita, pedaços de coral ou conchas.<
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