|
M
a r e s
Não estamos
conscientes da grande importância que os mares têm para a vida na
Terra. Cobrindo cerca de 66% da superfície total do globo terrestre, os
mares interferem directamente nos processos físicos químicos e biológicos e
são a maior reserva de vida do mundo.
Absorvendo anualmente milhões e milhões de toneladas de dióxido de carbono,
fornecendo uma incalculável quantidade de proteínas animais, é ainda assim
o mais complexo sistema de vida animal, maior mesmo do que o observado em
terra. Peixes, fitoplâncton, baleias, praias para nosso prazer,
medicamentos e uma infindável lista de matérias primas que na sua fase final
de utilização pelo homem, acabam por matá-lo lentamente tudo vem do mar.
A diabólica combinação da pesca excessiva com o tráfico ilegal de espécies
e a urbanização desenfreada nas costas de todo o mundo fazem os mares dos
nossos dias correrem riscos que nem mesmo nós entendemos. A ganância dos políticos
actuais, aliada á incompetência dos técnicos ao seu serviço, vão
destruindo a base na qual, nós enquanto homens civilizados nos
desenvolvemos e evoluímos.
A costa Alentejana,o Algarve e o Guincho, são exemplos de uma enciclopédia
de irónicos momentos onde também estão as pescas com dinamite em África
a captura de peixes ornamentais com cianeto de sódio nas Filipinas ,os
derrames da península de Valdez ou as experiências nucleares Francesa no
Pacifico Sul .
Os números são, frios e claros:
Mais de 10% dos recifes de coral morreram, 60% estão em risco.
Baleias, peixes vela, tubarões, peixes espada e atuns, são hoje 20% do que
eram nos anos 50 do século passado.
As marismas de todo o mundo quase não existem.
E como se ainda fosse pouco, as técnicas de pesca destroem irremediavelmente
zonas pesqueiras e levam para a extinção animais como leões marinhos de
Steller ou mesmo determinadas espécies de focas no Mediterrâneo. Os
poluentes industriais com a cómoda incúria de técnicos incompetentes fazem
perigar zonas como Donana em Espanha ou mesmo os mangais dos Everglades, ou ainda
os manatins do Rio Cristal.
Olhar o mar de forma diferente e aceitar a preservação como um modo natural
de vida é decidir positivamente o futuro, relegando para o passado o
desinteresse e o comodismo. Temos de saber que a poluição no nosso quotidiano
por mais insignificante conta como um passo para o caos.
Mais facilmente prendemos a atenção, com programas televisivos que destroem
a nossa inteligência e nos roubam a cultura do berço, do que olhamos a
destruição do meio que nos rodeia. Calamos por comodismo, ou porque a
impotência que sentimos perante os factos, nos faz sentir irremediavelmente
engolidos por este sistema de frios tecnocratas incompetentes.
Sou de opinião que vale o esforço, pois em cada voz que se levanta é um
pouco de quase nada que se salva. Se muitas vozes se levantarem é muito que
escapa á ganância dos que tudo querem e nada dão em troca.
O desafio é simples: Podemos passar a olhar de forma diferente o nosso
futuro?
Luís Gonçalves
|