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por: LUÍS Gonçalves

     Foi no inicio dos anos 70, que um aquarofilista de nome Rui Nunes, deu os primeiros passos na divulgação, do que é hoje considerado, o mais belo peixe de aquário de origem Sul Americana. Desde então, os adeptos de tão belo animal têm aumentado de forma considerável

     Idolatrado por uns, única paixão para outros, ou mesmo motivo de orgulho para tantos, o disco selvagem é hoje, sem duvida um desafio e o orgulho dos seus possuidores em qualquer parte desta cada vez mais aldeia global.

     Nem Rui Nunes sabia, ou podia prever, nem sonhava que aquele peixe de temperamento tão especial, de tão fugidio contacto, se iria tornar,tão importante em termos aquarófilos.  Hoje falamos de discos de todas as cores, de todas as proveniências, de todos os tons mas sempre com a mesma origem e forma.

     Amazónia; aquário a céu aberto a CASA do nosso anfitrião, deu-nos a origem dos amarelos da Ásia dos vermelhos da Alemanha dos muito riscados do Vietname, ou ainda dos sofisticados discos dos Estados Unidos. Mas todos, todos mesmo, escondem na sua génese o encanto de um disco selvagem seja do rio Xingu, do lago Purus, ou do rio Madeira.

     Hoje em dia, na CASA que entretanto Rui Nunes fundou de nome R U I M A R , podemos apreciar lado a lado com os bonitos, Malboro,Pigeon-Blood,Alenquer, ou Santarém, peixes genuínos da Amazónia.

     Mas tentemos entender melhor as origens:

   Para o observador ocasional, tudo não passa de Discos; uns defendem que se trata unicamente de cores desenvolvidas por peixes em diferentes ambientes, outros há que defendem que tudo não passa de peixes iguais com mais ou menos cor.

     Mas para quem teve oportunidade de observar peixes em cativeiro, nas condições ideais, não há duvidas que temos evolução separada de uma mesma origem.

     Reservados, ou mesmo atrevidos quando em cardumes de juvenis, os Discos no seu meio vivem em cardumes nos lagos tranquilos a norte do Brasil ou mesmo na Colômbia e Peru, onde muitos deles foram descobertos na década de 70 ,pelo Sr. Jack Watley e pelo Dr. Schimidt-Focke. Hoje no mercado Mundial encontramos o resultado do apuramento genético de 30 anos de pesquisa, e o Disco de "laboratório" é nos nossos dias tão variado, quanto possamos imaginar.

O AQUÁRIO

    Ao pensar montar um aquário para Discos não deve nunca esquecer o que alguém um dia dizia: "TEMOS 50% DE TÉCNICA E 50% DE BOM SENSO", e na verdade é um pouco assim. Um tanque para discos deve ter antes de tudo uma filtração ajustada ao tamanho do mesmo. A teoria da quantidade de água filtrada em cada hora deve antes de tudo ser a certa para o tamanho do tanque. Ora a filtração para um tanque de 1000 litros deve ser diferente da filtração para 200 litros, logo a quantidade de água filtrada é substancialmente diferente.

     Em qualquer dos casos estes são materiais indispensáveis para filtros externos:

1. Esponja de boa qualidade

2. Algodão                          

3. "Enfifix"                           

4. Bio-bols                            

5. Turfa granulada               

6. Cerâmica                        

No sistema de filtração devemos respeitar o principio da limpeza física da água e da estabilidade química. Os pontos de captação devem ser estrategicamente colocados, e o filtro deve ser suficientemente colonizado para dar á água as característica necessárias sem termos que recorrer a químicos, (ver tabela). Deve evitar correntes demasiado violentas para tal temos o típico chuveiro no angulo correcto.

     Os materiais de decoração devem ser cuidadosamente escolhidos e não descuidar a naturalidade tentando simular as zonas onde habitam os Selvagens. As madeiras tratadas são um bom principio, as plantas que quebrem a luz farão os peixes sentir-se mais seguros dentro do tanque. O areão deve ser rolado e de cor suave evitando sempre as cores berrantes dos novos materiais. Uma boa camada poderá ajudar a fixação das plantas, e consequentemente, criar um ambiente compatível, com um peixe que se retrai quando em condições adversas.

     Quanto á luz, bem, tenho escutado as mais diversas opiniões, eu gosto mais da luzes suaves que despertam os azuis, como a Flora ou mesmo uma "Marin" aliada a uma iluminação mais clara.

 

A ALIMENTAÇÃO

     Vamos tratar de um tema nem sempre pacifico; antes de tudo temos que ver que o disco tem o estômago pequeno logo aceitará de bom grado várias refeições diárias. Com a variedade de comida que actualmente temos no mercado será fácil variar a dieta consoante o gosto dos peixes e o sexto sentido do seu tratador, mas devemos ter como base alimentar comida natural congelada.

     Larva de mosquito, artêmia salina ou mesmo coração de boi podem ser incluídos por entre uma alimentação que não dispensa crustáceos e vegetais. Sou de opinião que um dia por semana sem comida só irá reforçar a aceitação de comida, logo menos poluição no aquário.

     Um peixe bem alimentado irá resistir melhor a doenças, e o  seu crescimento será o certo para se tornar num exemplar para orgulho do seu possuidor. O contrário é um caus, peixes sem cor, magros e sem a forma correcta e mais tarde a morte. Mesmo que se retome a alimentação certa, um Selvagem se passar fome, não mais voltará a ser o que era.

MANUTENÇÃO

    A mudança de água é a base para um correcto cuidar de Discus. Mudemos pois parte da água pelo menos uma vez por semana. Em aquários até 200 litros deve ser de cerca de 30%,em tanques maiores tudo vai depender dos sistemas biológicos, da filtração mecânica, dos peixes de manutenção, e da disciplina do tratador. Se a possibilidade de juntar água repousada não é compatível com o seu sistema, sou de opinião que o uso de água da rede publica é benéfico. A adição de cloro em quantidades controladas, pode ser aproveitado como ligeiro desinfectante, se o sistema biológico é forte , estável, e com poder de recuperação rápido.

     Aspirar o fundo com um sifão, é outro dos hábitos que melhoram a saúde dos animais. O acumular de dejectos, não só descontrola a química da água como, serve de meio á transmissão das doença, uma vez que o disco prefere alimentar-se tranquilamente do fundo.

     Não limpe os vidros no interior do tanque, os peixes de manutenção devem ter esse trabalho, caso isso não aconteça então será melhor rever o grupo de limpeza. Objectos estranhos dentro do tanque são motivo para os seus peixes se retraírem e esconderem toda a beleza que um disco mostra quando ambientado .                         

     A temperatura é sem duvida um outro ponto importante. Embora possamos ter discus a temperaturas inferiores a 28ºC, isso é sempre um risco. O metabolismo do animal é reduzido em ambientes abaixo dessa temperatura, e logo a alimentação não se fará de forma correcta. O ideal será 29/30, podendo ser mesmo de 32ºC . na entrada dos animais no novo ambiente, ou quando for necessário tratamento. Se o aquário onde tem os seus discos suportar mais de 200 litros de água, deve sempre ser aquecido com um mínimo de 2 resistências. Devem estar sempre em bom estado de conservação, degradadas são um mau negócio para si, e para os seus peixes será um desastre nos dias frios.

 

REPRODUÇÃO

    Nos dias que correm, é quase uma obsessão criar discus em cativeiro, mas a natureza continua teimosamente a resistir á maioria dos candidatos a criadores, também eu já fui um deles.

    Entre outras condições de base, não será possível uma reprodução continuada, se as características da água não forem minimamente as da origem do casal em causa. Casais com possibilidades de reproduzir são raros e caros, e nem sempre se encontram disponíveis no mercado, o facto de ser casal não significa reprodução. Vamos pois descrever em breves palavras como "a coisa" pode acontecer.

_____Da Alemanha, chegaram peixes ALENQUER VERMELHO e passados dois dias um par mostrou-se muito atenciosos um com o outro. O que parecia ser um macho depois de breves vibrações do outro peixe, resolveu aproximar-se, a armonia crescia entre os dois á medida que um terceiro peixe que se encontrava no aquário, era literalmente massacrado tanto por um como por outro. O afastamento do terceiro elemento foi inevitável.

     Com a presença de um cone de barro, era cada vez mais evidente tratar-se de um casal. Durante algumas horas, o cone foi cuidadosamente limpo pelo par, e ao cair da noite, fazendo breves passagens roçando o ventre, a fêmea depositava os ovos no cone e o macho fazia o mesmo fertilizando. Não estou certo do tempo que durou tal, mas o certo é que duas horas depois uma quantidade razoável de pequenas esferas com cor âmbar escuro se encontrava colada ao cone. O ritual das passagens continuava, mas desta vez era para arejar os ovos. Debicando suavemente nos ovos, macho e fêmea limpavam-nos para não fungarem. No dia seguinte cerca de 50% dos ovos tinham uma cor branca leitosa, estavam fungados, a outra parte estava como que inchados e mais âmbar que no dia anterior.

     Passadas cerca de 72 horas, restavam intactos poucos ovos que cintilavam de forma bem visível. No dia seguinte nada restava da aventura.

Medidos os valore da água encontrou-se o seguinte:

pH 7,5

dH 280 ppm

Amónia, Vestígios evidentes

Nitritos Vestígios

Temperatura 25ºC

Ora não podemos pretender milagres, o insucesso da postura deveu-se á nítida falta de condições, o casal , se bem que jovem era bom, de outra forma os ovos não tinham passado do primeiro dia.

Uma semana depois tudo recomeçou de novo .............................

Com os discus do Amazonas, tudo se pode passar da mesma forma, no entanto o rigor das condições química da água é outra história bem diferente. Vejamos os valores do Grande Rio:

Água

TEMP.

pH

dH

Condutividade

Rede (Lisboa)

17/21

7/8

3/5

IRREGULAR

Amazonas

 

28/30

28/32

5/6,8

2/4

<100

           

 


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