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TROCAS
DE ÁGUA SALGADA
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- Quando
pela primeira vez, me foi colocado o problema das trocas parciais de
água no aquário de água salgada, a questão nem de longe se
afigurou simples.
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Se por um lado vivo perto do mar, por outro lado o preço do sal sintético disponível
no mercado tem um preço quase proibitivo para a minha bolsa. Água do mar
ou água previamente preparada com sal sintético, tornava-se um dilema
interessante. Iniciei então uma busca e resolvi testar com o que tinha ao
meu alcance, algumas das possibilidades que me pareciam minimamente fiáveis.
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Como será fácil de entender, a água do mar, é completa do ponto de vista
químico o que á partida oferece o que á partida oferece a garantia para a
continuação de um bom trabalho no aquário.
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Tudo
parecia fácil, e bem menos dispendioso do que o sal sintético. Os
problemas começaram logo pelo local da colheita, tinha que me dicidir por
um local onde a poluição é menos evidente, e onde a água doce do rio tem
um menor impacto. Não são muitos os locais da
nossa costa onde isso é possível, logo, o que parecia uma simples colheita
tornou-se simplesmente num "pesadelo".
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As águas do nosso litoral, mesmo nos locais mais limpos, oferecem uma
quantidade aceitável de componentes orgânicos e químicos estranhos a um biótipo
como é o nosso aquário. A longo prazo, quando as mudanças de água do mar
forem suficientes, teremos valores altamente perigosos de bactérias
estranhas e poluentes tóxicos.
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Mas não param por aqui as questões:
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As águas da nossa costa, (zonas frias e temperadas), são providas de
bactérias e plankton em valores 5000 vezes superiores aos mares tropicais.
Então devido ao aumento de temperatura, a reprodução do plankton dá-se a
uma velocidade astronómica, para morrer depois de forma rápida, levando
muitas vezes o sistema ao colapso.
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O meu dilema mantinha-se, mas a vontade de usar água natural era
interessante. Num aquário de recife, com vários corais adicionaram-se alguns litros de água natural, (5%) e o resultado foi mais
do que evidente. Uma pequena anémona, agitou-se de forma anormal, e era bem
visível o aproveitamento que fazia dessa pequena quantidade de água
natural provavelmente devido á grande quantidade de plankton.
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O que se seguiu foi quase a destruição do aquário.
- Toda a carga orgânica do plankton
morto, serviu de alimento às bactérias presentes no aquário, mais às que
foram introduzidas pela adição da água natural. O conflito por diferentes
estirpes de bactérias, gerou uma tal desordem que os valores medidos não
mais voltaram ao equilíbrio. O oxigénio presente, reduziu-se de tal modo,
que o sufoco dos animais era quase inevitável.
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Recorrendo a um escumador de proteínas suplementar, utilizei ozono e alguns
dias tudo parecia normal. Digo parecia porque na realidade tudo ou quase
tudo estava diferente. Um pequeno Pomacanthus semicirculatus,
já com mais de 3 meses no aquário, de um momento para outro passou de uma
actividade normal para uma apatia geral, tanto ao nível dos movimentos como
em relação ao apetite.
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Recolhendo algumas informações, chego à conclusão que que o meu peixe
não era senão uma vitima inocente dos meus erros.
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Quando os restos de plankton começaram a desaparecer, por ter sido
consumido pelas bactérias, estas começaram a ter carências e não
encontrar outra solução a não ser contaminar os peixes.
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Num equilibro perfeito, o sistema imunológico dos animais, não permite
tais infecções, e as bactérias quando em excesso morrem com a escassez de
alimento. No entanto, quando acontece não ser o sistema estável, ou temos
introdução de novos peixes, a falha propicia o inicio de um processo
infeccioso que leva à morte dos peixes.
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Justifica-se portanto a quarentena dos peixes adquiridos na loja, onde
lentamente se deve adicionar água do tanque principal.
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Mas voltemos á questão central:
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A opção pelo sal sintético mostrou-se mais equilibrada e bem menos
dispendiosa. Feita com alguma antecedência e verificando os níveis de
Nitritos mantêm-se alguma segurança na troca de água .
Luís Gonçalves
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