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pelo
Dr. Marcos A. Bizeto
Este texto traz
informações sobre o que vem a ser a dureza, formas de
controla-la e também sobre a nomenclatura e testes mais
utilizados.
- O
que é dureza?
A dureza nada mais é
que a quantidade de iões Ca2+ e Mg2+
dissolvidos na água. Quanto mais dura for a água, maior
será a concentração destes catiões.
Águas naturais são
geralmente duras nas regiões onde se encontram depósitos de
calcário (CaCO3). As águas das chuvas dissolvem o
CO2 da atmosfera formando uma solução diluída de
ácido carbónico que lentamente dissolve o calcário.
As reacções químicas
envolvidas no processo de dissolução do CO2 são:
CO2
+ H2O «
H2CO3
H2CO3
«
H+ + HCO3-
O processo de
dissolução do calcário pode ser descrito pela reacção
abaixo:
H+
+ CaCO3«
HCO3- + Ca2+
O carbonato de
cálcio é insolúvel em água mas o bicarbonato é solúvel,
portanto, de uma maneira geral, este processo de dissolução
envolve a transformação do carbonato de cálcio em
bicarbonato, o mesmo ocorrendo para o caso do magnésio.
CO2
+ H2O + CaCO3 «
Ca2+ + HCO3-
Esse tipo de dureza
da água é conhecida como dureza temporária (ou dureza em
carbonatos) da água. Este nome foi dado em virtude deste
processo ser facilmente revertido pelo aumento do pH como
também pela elevação da temperatura até a ebulição, ou
seja, a adição de uma base ou o aquecimento inverte a
reacção acima no sentido de formação do CaCO3.
Quando o anião presente na
água dura não é o HCO3-, a dureza é
conhecida como dureza permanente pois o processo não pode ser
revertido facilmente, como por exemplo, pela elevação da
temperatura até a ebulição.
- O
que os testes de dureza para aquários medem?
Basicamente existem
dois testes de dureza utilizados em aquários, um que mede a
dureza total – GH - (soma das durezas permanente e
temporária) e um segundo que teoricamente mede a dureza em
carbonatos - KH.
O primeiro deles, chamado
de dureza total (GH), mede a quantidade de iões Mg2+
e Ca2+ presentes na água do aquário. Como
resultado o teste dá um número em escala numérica que
representa a quantidade destes iões em solução. Esta escala
foi convencionada da seguinte forma:
0
- 5° - água muito mole
6 - 10° - água mole
10 - 15° - água média
15 – 25 - água dura
O resultado também
pode ser expresso por partes de CaCO3 por milhão
de partes de água – ppm - (o mesmo que mg / L).
O segundo chamado de
dureza em carbonatos (KH) na verdade mede a quantidade de
iões HCO3- presentes na água dando um
resultado expresso da mesma forma que o teste de dureza total.
Existe um erro de nomenclatura neste teste pois conforme
explicado acima, o valor obtido neste teste é referente a
concentração do aniões bicarbonato, que pode não ter
nenhuma relação com a dureza em carbonatos, como por exemplo:
Tomemos como base uma água
com GH = 0 e KH = 0, isto quer dizer que não temos Ca2+
e Mg2+ dissolvidos. Se adicionarmos uma certa
porção de NaHCO3 (bicarbonato de sódio) o GH
continuará sendo zero mas o KH irá aumentar. Portanto o
valor do KH encontrado não tem nenhuma relação com a dureza
em carbonatos pois a concentração de Ca2+ e Mg2+
dissolvidos continua sendo nula.
Um nome mais correto para
este teste seria teste de alcalinidade ou reserva alcalina,
pois com ele é possível estimar possíveis formações de
tampões devido à existência dos pares H2CO3/HCO3-
e HCO3-/CO32-. A
formação destes tampões faz com que a variação do pH
fique mais difícil mas vamos deixar este assunto para um
artigo futuro.
-
Como diminuir a dureza da água. Se a água fornecida
pela companhia de saneamento da sua região for dura e os
peixes que mantêm necessitem de uma água mole, como é
o caso dos discos, existem algumas formas para se
diminuir a dureza.
A mais simples seria a
utilização no aquário da água de chuva, porém isso não
é indicado para regiões que possuem um grande tráfego de
automóveis ou perto de indústrias pois o ar costuma ser
poluído. Antes de usa-la no aquário, a água da chuva deve
ser previamente tratada com um filtro de carvão activado e
lã e ter o pH ajustado ao valor desejado. A água que sai de
aparelhos de ar condicionado e desumidificadores de ar não
devem ser usadas em hipótese nenhuma pois possuem uma grande
quantidade de fungos e bactérias.
Uma outra forma seria com o
uso de turfa (Peat em inglês) no sistema de filtração. Este
material de origem vegetal é rico em ácidos húmicos que
possuem a propriedade de se ligar com metais pesados e também
com o Ca2+ e Mg2+ entre outros. O uso de
turfa faz com que a água se torne ligeiramente ácida e
adquira uma coloração amarelada.
Uma terceira forma seria
com a preparação da água através do uso de destiladores,
desionizadores e também filtros de osmose reversa que
produzem uma água de óptima qualidade, porém ainda são
aparelhos muito caros e que necessitam de manutenção
periódica.
Uma quarta forma seria com
a adição de EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) que
pode ser adquirido em lojas de produtos químicos ou
farmácias de manipulação. O EDTA é um composto que se liga
à alguns catiões (principalmente o Ca2+ e o Mg2+),
da mesma forma que os ácidos húmicos liberados pela turfa
mas com a vantagem de não interferir na coloração da água.
Este composto é sólido e deve ser administrado em pequenas
porções (ou previamente dissolvido em água) para que não
traga problemas para os peixes e principalmente para as
plantas do aquário.
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