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pelo Dr. Marcos A.
Bizeto
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Na natureza
a vida de grande parte animais é influenciada e regulada
pelas estações do ano. Esta influência é muito fácil de
ser verificada em seres do reino vegetal, porém é menos
evidente no reino animal.
A
região amazónica possui um clima muito peculiar, com
temperaturas altas o ano inteiro e muita chuva, onde quase
não há muita distinção entre as estações do ano.
Basicamente, durante o verão as chuvas são mais intensas
provocando o trasbordamento dos rios e inundação de grandes
porções de mata. A temperatura da água dos rios, lagos e
lagoas pode chegar facilmente aos 33°C. Para os animais
aquáticos, esta época indica abundância de comida, a grande
quantidade de vegetação submersa propicia refúgio e
substrato para desovas, ou seja, esta é uma época propícia
à formação de casais e à reprodução. No inverno as
chuvas são menos intensas, os rios voltam aos leitos normais
e a temperatura sofre uma ligeira queda, tendo uma média de
aproximadamente 29°C. A diminuição do volume de água dos
rios e lagos e a presença de muito material orgânico,
principalmente de origem vegetal (plantas e arvores que
estavam submersos anteriormente), faz com que o pH caia a
valores bem baixos que segundo alguns biólogos e estudiosos
do assunto pode chegar por volta de 4. O inverno é uma época
de menor disponibilidade de alimento e condições menos
favoráveis à reprodução, na qual a natureza se encarrega
de seleccionar os indivíduos mais resistentes que serão
encarregados da perpetuação da espécie. Só como
curiosidade, a coloração escura da água de muitos rios e
lagos amazónicos é devido à presença de ácidos húmicos
que são formados principalmente pela decomposição de
material orgânico de origem vegetal.
Essas mesmas condições naturais podem ser simuladas em
aquários de Discos para estimular a formação de casais em
indivíduos que atingiram a maturidade sexual. Embora muitos
dos discos vendidos hoje nas lojas tenham nascido em
cativeiro, eles mantêm praticamente todas as exigências e
características dos indivíduos selvagens.
A
técnica descrita a seguir deve ser empregada em um aquário
grande que comporte pelo menos 6 indivíduos adultos. Para
simular o inverno, baixe gradativamente o pH até valores
próximos a 6, eu não aconselho valores menores pois toda a
filtragem biológica do aquário pode ser comprometida.
Diminua a frequência das trocas parciais, por exemplo, uma
vez por semana ou a cada quinze dias, isto vai depender das
condições do seu aquário. Mantenha a temperatura ao redor
dos 28 – 29°C, e diminua um pouco a quantidade de comida
servida, não se preocupe eles não irão morrer de fome.
Mantenha os peixes nesta condição durante 1,5 a 2 meses.
Após este período, aumente gradativamente a temperatura até
valores ao redor dos 32°C, aproximadamente 1° por semana é
suficiente. Da mesma forma que a temperatura, aumente o pH
até valores entre 6,6 e 6,8. Aumente também a freqüência
das trocas parciais, no final do processo o ideal é trocar no
mínimo 50 % do volume do aquário diariamente. Forneça aos
animais uma quantidade maior de alimento e se possível apenas
alimentos vivos. Mantenha as condições finais de pH,
temperatura, alimentação e freqüência de trocas parciais
de água por no mínimo 1 mês e com muita observação e
principalmente paciência verifique se ocorreu a formação de
pares.
Na
maioria dos casos os casais se formam naturalmente, porém
algumas vezes, o número de casais formados em um grupo de
exemplares adultos é pequeno. Nestes casos a técnica
descrita neste artigo pode ser muito útil, principalmente
para aqueles que desejam iniciarem uma criação comercial de
Discos.
A
procriação do Disco não é tão difícil de se conseguir
porém é necessário que todas as condições do aquário e
da água estejam favoráveis. Como o próprio título deste
artigo diz, esta é uma técnica que pode ser usada para
estimular a formação de casais, mas isto não quer dizer que
utilizando-a casais se formarão e a desova acontecerá, pois
como dito anteriormente, é necessário que todas condições
estejam propícias.
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